arrepiante…

Era tudo que se passava na cabeça de Sabrina que se arrependia amargamente por ter saído de casa apenas com um vestido curto. A temperatura havia baixado, tal qual a vontade dela de estar se dirigindo para aquele bar. Pra que encontrar essa gente? Se questionava o caminho inteiro enquanto aguardava o final da viagem. 

Os cabelos claros ondulados, esvoaçavam pelo vidro entreaberto do carro. Algo a motivava a dar meia volta, pagar outra corrida e retornar à cama — quentinha — que a aguardava em casa. Já havia aberto o celular para checar a lista de convidados umas vinte vezes, apenas naquela noite. Não queria assumir a motivação daquela compulsão, mas a cada vez que olhava a tela, um calafrio descia por sua nuca e se instalava em sua lombar. Seus pelos se eriçaram e ela desviava o olhar do aparelho como se desviasse instintivamente dos olhos daquele que esperava não ver essa noite

O alarme no aparelho do motorista indicava que seu destino estava próximo. Puxou um pequeno espelho da bolsa e conferiu se sua máscara de cílios não havia borrado, e se seu batom estava em uma perfeita cor rubra. Estava impecável, como sempre

Ao descer do carro, o frio retoma seus calafrios. Seu primeiro instinto é cruzar os braços e ir em direção à entrada principal. Conhecia aquele bar do início ao fim, seus antigos colegas de escritório amavam frequentar a alguns anos. Já ela… Nem tanto. Preferia a tranquilidade do restaurante próximo aquela rua, que possuía um terraço enfeitado de flores, ar fresco, amenidade e um delicioso frango ao molho branco com fettuccine. Mas, já não os via há um ano e poucos meses, estava devendo essa aparição desde que pediu demissão no escritório de publicidade para cursar veterinária… Um grande salto de área. Poderia dizer que não se importava mais com aquelas pessoas, mas estaria mentindo, se recorda com carinho de cada um deles. 

Apenas só não curte muito a música alta de cunho sexual que embala o ambiente. 

Adentrou o ambiente sentindo em seguida — um ruído no ouvido devido ao barulho — uma onda de calor que contrastava com o clima ameno do lado de fora. Por um momento, sorriu se sentindo feliz em ter escolhido aquele “tubinho” brilhante para o reencontro. 

Suas orbes dançam pelo salão. Pareciam procurar um olhar familiar, uma pessoa — em específico — conhecida. Porém, apenas encontrou o grupo de amigos que já haviam terminado algumas garrafas de cerveja. Revirou os olhos, mas sorriu. Não gostava de beber, mas gostava de uma boa companhia. 

Caminhando em passos calmos, Sabrina cruzou a pista de dança esbarrando em diversas pessoas, até alcançar a mesa.

— Grande, Carpenter! — Alex inicia a sessão de comprimentos se levantando em seguida para um pequeno abraço. — Vejam bem se não é uma das melhores analistas de direção criativa que já tivemos. 

Ela ri. Sabe que realmente tinha uma grande carreira pela frente, mas de que adianta se no fim do dia, não queria ser reconhecida por isso?

— Grande, Alex. — ela responde. — Quanto tempo, hein? Deixou o cabelo crescer, cara, ficou igualzinho…

— Ao meu irmão? Sim, comenta mais que ele vai se sentir lisonjeado por se parecer um pouco comigo. 

Na mesa ainda havia Olivia, Renan e Milla, que logo em seguida também se levantaram para um abraço, e no fim, um amigável abraço em grupo. 

Renan puxou uma cadeira para Sabrina, e em seguida puxou uma reserva na frente da loira, que ficou se questionando se faltava mais alguém. 

Se estava faltando o “alguém” que ela esperava — temia — ver. 

— Diga aí, loirinha, — Alex retoma a conversa. — Como está o curso?

— Difícil… Do jeito que eu imaginei que seria. — eles riem. — Mas realmente era tudo que eu queria fazer, e ter conseguido a bolsa foi o ponta pé inicial que eu precisava pra tomar um “baque” de coragem, ‘cês sabem. 

— Sei bem — Milla responde. — no meu caso eu precisei fazer a mesma coisa, mas para entrar na Publicidade. Largar os recursos humanos ‘pra voltar a ser estagiária? Minha família quase infarta. 

— Qual é, já somos grandinhos, né? Tomamos as decisões da nossa vida. — Comenta Alex. 

— David que quase infartou quando viu a carta demissão da Sab. — Renan profere. 

David… E retoma o calafrio na nuca. Apenas de se recordar da intensidade de seu olhar, cada pêlo pelo corpo de Sabrina se estremece, sua garganta fica seca e sua mente divaga. 

— Falando no querido…

Não queria olhar para trás. 

Não poderia. Não.

Não olha para trás Sabrina… Finja que não se importa com a presença dele aqui. 

— Grande chefe! — novamente sendo receptivo, Alex é o primeiro a comprimenta-lo. — Está atrasado, como sempre. 

— Um frio desses, eu estava me decidindo se sairia de casa ou não. 

Aquela voz… Poderia não ter ouvido a mais de um ano, mas nunca esqueceria aquela nuance. A forma como soa suave e ao mesmo tempo, vibrava na cabeça da loira

David cumprimentou a todos, e por último, de uma forma muito desajeitada, Sabrina se levantou e ele se debruçou para um abraço que durou cerca de 3 segundos, que como o grande clichê diria, durou horas.  

David vestia uma blusa social branca de manga longa, mas ele a levantou um pouco. Os botões do pescoço, não foram fechados. Sabrina, de alguma forma, se concentrou muito nessa informação, deixando um momento constrangedor para o moreno que percebeu a linha do seu olhar. Mas não muito atrás do constrangimento da moça, David conseguiu — de forma discreta — reparar demais na forma como aquele vestido justo aumentava o busto da mulher, e como suas coxas eram visíveis devido ao pano curto na parte de baixo. 

E volta tudo outra vez. 

Pensou o moreno. 

David se lembrava muito bem de quantas vezes se perdeu em suas redações, e atrasava alguns pedidos que os diretores da empresa solicitavam diretamente a ele como uma intimação, apenas porque sua analista possuía olhos profundos da cor azul mais brilhante que ele já havia visto, e seus cabelos caiam perfeitamente por seus ombros, seus lábios eram precisamente desenhados como se fossem feitos por um artista, suas blusas sempre caem bem pela cintura do seu corpo e suas calças acompanhavam perfeitamente as curvas de suas pernas. 

Era o suficiente para ser motivo de distração